sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Orla da Guarda do Embaú vira estacionamento


Não é só a Praia do Sonho que anda sofrendo com a bagunça nas madrugadas na orla, como o jornal Palhocense vem noticiando. Na Guarda do Embaú, moradores reclamam do mesmo problema: rachas, som alto, consumo de bebidas e drogas na faixa areia viraram rotina.

“Nas madrugadas, presenciamos pessoas invadindo terrenos de casas e, mesmo na frente delas, urinando, usando álcool, traficando drogas e fazendo rachas na areia da praia. Quando amanhece e todos se vão, sobra-nos a tarefa do recolhimento de garrafas, cacos de vidros, lixo de toda espécie (até preservativos). A prefeitura não disponibiliza nenhum funcionário para a limpeza da praia e são os próprios moradores que executam essa tarefa”, lamenta o fotógrafo Plínio Bordin, morador da Guarda e presidente do Movimento

SOS Rio da Madre.
Plínio conta que já ocorreram várias ameaças por parte dos donos de veículos que fazem a disputa (pancadão) a moradores que foram pedir para que os festeiros desligassem o som. Ele atenta para o fato de que é frequente a presença de crianças e adolescentes participando desses eventos. “Qual seria o perfil deste cidadão que tem prazer em fazer isso? Será que estas pessoas são tão alheias que não percebem que o volume de veículos, o som alto, enfim, esta poluição visual e sonora, não condiz com a lugar?”, questiona Marcos Kito Gungel, presidente da Associação de Surf e Preservação da Guarda do Embaú (ASPG), que tenta transformar a praia em uma Reserva Mundial de Surfe.

À luz do dia
E não são só os moradores que sofrem. O presidente do SOS Rio da Madre explica que o som alto está prejudicando a fauna da região. Aves como trinta-réis e socós, que normalmente passam as noites nas margens do rio, estão sendo expulsos pela poluição sonora. “Inclusive, os trinta-réis, que são aves migratórias, estão diminuindo sua quantidade e frequência. E já recolhemos mais de uma vez socós presos em fios de luz, provavelmente por terem se desorientado pela altura do som”, recorda o fotógrafo.

Mas não é só sob a proteção da escuridão que a natureza local é invadida. Durante o dia, as margens do Rio da Madre são usadas como estacionamento. No último final de semana, por exemplo, a Polícia Militar multou os carros que estavam estacionados na areia. “Cheguei para fotografar e tinha uma viatura multando os carros. Vários estavam saindo para não ser multados”, conta Plínio. Ele revela que conversou com os policiais, e eles lamentaram a falta de contingente para a realização de um patrulhamento mais ostensivo. O que não é novidade.


Reportagem publicada pelo Palhocense em agosto alertava que a 2ª Companhia do 16º Batalhão da PM, responsável pelo atendimento à região Sul do município, conta com apenas 33 policiais militares e duas viaturas. “Temos que agradecer o esforço da PM, que, dentro de suas possibilidades, nos atende da melhor maneira possível”, reconhece o fotógrafo.

Tubos de concreto
Os moradores comentam que antigamente existiam mais sinais na entrada do rio avisando sobre a proibição de tráfego e estacionamento na praia. Eles pedem para que sejam colocadas novas placas, não só nas entradas da orla, mas também nos postes e na frente de algumas casas. “Precisamos urgentemente de placas alertando à proibição do tráfego e estacionamento na beira da praia. Daí, fica muito mais fácil de tirar esses infratores com seus veículos”, pondera Plínio.

Para o superintendente da Fundação Cambirela do Meio Ambiente (FCam), João Batista dos Santos, talvez a colocação de placas sejam uma medida “leve” demais para a dimensão do problema. “É igual à Praia do Sonho, onde nós colocamos os tubos concretados, porque senão não adianta. Alguém vai lá e tira a placa, e nós não temos como fiscalizar 24 horas por dia. Agora, se precisarmos colocar tubos de concreto também na Guarda, vamos colocar”, garante.

Lideranças mobilizadas
Marcos Kito Gungel conta que vai procurar, juntamente com a Associação Comunitária e a Associação dos Pescadores da Guarda, o comando da Polícia Militar para pedir reforço no patrulhamento da área. O superintendente da FCam orienta qualquer comunidade que tenha reivindicação semelhante a procurar a fundação para fazer sua solicitação.

“Nós temos placas disponíveis, com vários dizeres, dependendo da situação, se é mangue, se é área de preservação, e temos pessoal para colocar. É só a comunidade se reunir e nos encaminhar um pedido, via associação de moradores, por exemplo, que nós mandaremos técnicos lá para verificar se há, realmente, a necessidade e então é feita a colocação das placas”, informa.

Fonte O Palhocence

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