segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Festivalma: SP não tem onda mas tem surf

Cena improvável no Ibira: skatista diante do tubo em tela de Hilton Alves. Foto: Michelle Roth

Por Alceu Toledo Junior

Enquanto o Hemisfério Norte apresenta suas ondas gigantes em filmagens sensacionais produzidas por drones de última geração em Pipeline, Jaws ou Nazaré, no Brasil o verão mais implacável em décadas castiga o país e impõe um flat tirano de Norte a Sul do país.

Os drones tem roubado a cena na cobertura do surf. Depois do lançamento da GoPro, o produto mais “do it for yourself” da indústria do esporte, o drone é onda tecnológica do momento.

Um pouco antes de começar a temporada de ondas, circulou pela internet um vídeo bem interessante sobre o estrangulamento do trânsito na Kamehameha Highway justamente na região de Haleiwa, porta de entrada para o místico North Shore da ilha de Oahu.

Nas imagens aéreas, filas e filas de carro parados durante um final de semana ao longo da rodovia que leva aos picos hollywoodianos do Hawaii – Waimea, Laniakea, Rockpiles, Off-The-Wall, Backdoor, Pipeline, Rocky Point, Sunset e V-Land.

E, depois do Pipe Master, foi a vez de entrar em cena um vídeo com Kelly Slater durante o campeonato, muito legal, mais uma produção destes objetos voadores identificados.

Já em São Paulo, a onda que subiu não veio do mar, chegou para ficar por meio de tinta, airbrush e pincéis vindos das mãos talentosas de Hilton Alves, um surfista de Guarujá que há vários anos mudou-se para o Hawaii em busca de aperfeiçoar sua arte, pegar altas ondas e elevar a qualidade de vida.

Chamado pela direção do Festivalma, um evento único que traz um mix de música, pintura, fotografia e cultura surf, Hilton deixou de presente para São Paulo, no dia do 460º aniversário da cidade, um belíssimo mural com o desenho de uma onda de cores maravilhosas em pleno parque do Ibirapuera, lugar carinhosamente chamado de a “praia” do paulistano.

Poucos dias depois, o parque recebeu as presenças marcantes dos músicos Edu Marron, Pablo Dominguez e a havaiana Paula Fuga - ela embalou milhares de paulistanos com a suave melodia do ukulelê e a voz poderosa para cantar as maravilhas naturais de sua ilha adorada.

Foi uma inesquecível noite de surf e espírito aloha em plena capital paulista, com várias gerações do esporte prestigiando a iniciativa do publisher Romeu Andreatta, diretor da revista Almasurf e idealizador do projeto.

"O Festivalma nasceu para expressar a importância do esporte como estilo de vida. Nesses dez anos do evento, vamos comemorar um mercado do porte de 30 milhões de consumidores. Estamos muito contentes por retribuir com entretenimento, cultura, arte e cinema acessível a todos. O mural que deixamos para São Paulo é mais uma forma de agradecimento e contribuição para essa capital, que tanto cultua a praia e os elementos que a envolvem. O paulistano respira praia, está próximo dela e a respeita e a deseja intensamente”, comenta Andreatta.

Além de ser uma ótima oportunidade para rever amigos como o legend Taiu Bueno ou o jurássico monstro da mídia Reinaldo “Dragão” Andraus, entre tantos outros amigos que normalmente encontramos no litoral, o Festivalma realmente traz um astral de praia para a capital paulista, uma vibe muito boa que acaba contaminando o espaço urbano da Sampa cinzenta que “ergue e destrói coisas belas”, como diz Caetano Veloso, com o ambiente saudável das praias.

Na mostra de arte e cultura do Festivalma, o público ainda pode conferir fotos e quadros sobre a cultura de praia no Brasil e uma árvore genealógica dos shapers brasileiros.

Imagens que reportam e denunciam o lixo, a poluição e os maus-tratos à praia e à natureza também são apresentadas para promover a sustentabilidade e a ecologia. A curadoria da exposição, que transcende a arte / cultura surf e desempenha importante função social, é de responsabilidade de Fernando Costa Netto, surfista paulistano de longa data, jornalista fundador das revistas Trip, Boom e Venice, ex-editor do jornal Notícias Populares e atual diretor da DOC Galeria.

Clima de praia em pleno parque. Foto: Lorena Montenegro



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