domingo, 2 de março de 2014

ASP adota padrão FIFA


Repercurte na internet a decisão de tirar dos fotógrafos o direito de uso de imagem pelas fotos feitas na área dos eventos da ASP (Association of Surfing Professionals).

Diante da decisão do governo de Paul Speaker, o dono do pico e que veio do mundo do marketing da NFL (National Football League, entidade que controla o chamado futebol americano nos EUA), não se encontra elogio às recentes restrições para comercializar as fotos do ambiente do World Tour na manhã deste domingo pelos sites que divulgam o surf.

Fotógrafo gaúcho que vive fora do país, colaborador de vários veículos, Pedro Felizardo manifestou-se no Facebook: "Se você fizer uma foto ou filmar qualquer coisa no local do evento, essa imagem não pode ser utilizada comercialmente. Ou seja, somente os contratados da ASP ou patrocinadores do evento podem trabalhar nesta área e ter suas imagens utilizadas comercialmente. Absurdo!".

O blog Um Frame Com Vida, do esperto surfista português André Carvalho, vai além:  "Ao ler esta entrevista do Joli (Nota da Redação australiano Peter Wilson), fotógrafo do tour há 20 anos e o cara que tem "apenas" o maior arquivo de sempre da história da ASP, percebe-se que as coisas não estão definitivamente mudando para melhor. Joli tem a maior base de dados fotográfica de todo o mundo de campeonatos de surf, construiu a sua carreira com muito trabalho e diga-se de passagem que a ASP lhe deve muito. Primeiro porque suponho que nunca lhe pagou, segundo porque o alcance que a ASP sempre teve graças a ele é gigante", dispara.

Na outra ponta do mouse, o webcast da ASP do primeiro dia do Quiksilver Pro, abertura da temporada 2014 na Austrália, também não foi bem digerida pelo crowd. "Broadcast terrível. Fiquei entediado com todos aqueles anúncios e comentários sem originalidade", rasgou um certo Tim Marshall no Facebook da ASP.

Pai e treinador de três grandes nomes da nova geração, o ex-dono de escolinha Marcelo Aguiar, surfista de Ubatuba, também critica o novo modelo de transmissão: "Estranho o novo formato de transmissão do mundial de surf, sem heat demand completo, sem notas individuais dos juízes, 60% da transmissão é marketing, 20% é replay e 20% surf ao vivo. Será que estão querendo esconder aquilo que todos já sabem? Tive a sensação de que o Mineiro foi muito mal julgado também. Vejo um ano difícil para os brazucas nesta obscuridade, mas só temos guerreiros neste combate", avalia.

Tentei fuçar o site da ASP, repaginadão e bacana, mais uma obra do sempre ótimo governo de Mano Ziul no comando da tecnologia. Mas encontrei ali uma certa lentidão que me fez desistir de pesquisar mais críticas.

Com a entrada da gigante coreana Samsung e a emergente high tech GoPro no papel de patrocinadores do circuito mundial, é natural a tentativa de proteção do ambiente dos eventos. A questão a ser discutida é a privatização de locais públicos, a exemplo do que acontece durante a copa do mundo de futebol, promovida pela Fifa, no caso das controvertidas Fans Fests que entram no pacote do evento.

Mas, como estamos falando de surf, uma prática que remete aos ancenstrais kahunas havaianos, além de esporte que atrai a juventude pela imagem de liberdade e amor à natureza, a medida  da ASP de restringir o trabalho dos fotógrafos é bastante antipática. Afinal de contas, o grande apelo do esporte é justamente a imagem, com todas as implicações relacionadas à filosofia do esporte. Vamos ver onde isso vai dar. (Alceu Toledo Junior)




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