domingo, 9 de novembro de 2014

Está chegando a hora

Não existe um cenário mais perfeito para a decisão do título como Pipeline. Foto: ASP

Perfeita descrição das emoções que estão reservadas na maior arena do surf mundial. Foto: ASP

O'Neill SP Prime - Filipe Toledo invade o espaço aéreo em Maresias

Filipe Toledo voa e levanta a galera em Maresias. Foto: Daniel Smorigo / ASP



Com apresentações incríveis, tirando as maiores notas com seu arsenal de aéreos sensacionais, o paulista Filipe Toledo dizimou seus adversários para faturar o prêmio de US$ 40 mil do título no O'Neill SP Prime apresentado pelo Guaraná Antarctica em São Sebastião. Ele dominou a lista de recordes do campeonato iniciado na segunda-feira e no sábado decisivo continuou voando nas ondas da Praia de Maresias, que ficou superlotada no último dia para vibrar com a vitória brasileira na etapa que fechou a “perna sul-americana” de fim de ano da ASP South America. A grande final também valia a liderança isolada no ranking do ASP Qualification Series e Filipinho não deu qualquer chance para Matt Banting, derrotando o australiano por 19,04 a 15,40 pontos com notas 9,17 e 9,87 dos aéreos mais espetaculares que acertou para o delírio do público que vibrava intensamente a cada onda do surfista de Ubatuba que atualmente mora na Califórnia, Estados Unidos.

Matt Banting fica em segundo. Foto: Daniel Smorigo
 “É muita felicidade e estou muito amarradão com esse crowd aqui, essa galera lotando a praia a semana toda foi maravilhosa, todo mundo torcendo, dava pra sentir isso lá dentro d´água e foi demais”, vibrou Filipe Toledo. “Eu só tenho que agradecer a Deus por tudo que aconteceu comigo nesta semana aqui. Eu surfei bem todas as baterias, sempre tirando notas altas, minha família está toda aqui me ajudando, me apoiando, isso não tem preço. Esse campeonato para mim foi um dos melhores da minha vida. Eu vi que os juízes estavam valorizando os aéreos, então arrisquei mesmo essa manobra em todas as baterias e deu tudo certo. Estou muito feliz pela vitória e agora vamos com tudo pro Hawaii. Como já estou garantido no WCT do ano que vem, vou competir lá bem mais tranquilo e espero manter este ritmo nos campeonatos lá também. Valeu, galera, obrigado Brasil”.

Ítalo Ferreira é novidade no WCT 2015. Foto: Daniel Smorigo

No sábado, as ondas em Maresias estavam pequenas, mas com as séries de 2-3 pés entrando com boa formação principalmente para os aéreos, que novamente arrancaram as maiores notas do dia. Foi voando que Filipe Toledo passou pelo australiano Jack Freestone nas quartas de final por 15,67 a 9,77 pontos, depois atropelou o costarriquenho Carlos Muñoz com uma sonora goleada de 18,43 a 3,93 pontos nas semifinais e manteve o ritmo na grande final, também acertando aéreos de frontside nas direitas e de backside nas esquerdas de Maresias para conquistar sua segunda vitória em etapas do ASP World Prime este ano. Antes do O´Neill SP Prime, Filipinho já havia vencido o tradicional US Open of Surfing na Califórnia, derrotando o catarinense Willian Cardoso numa final verde-amarela em Huntington Beach.

Carlos Muñoz, superman de Costa Rica em Maresias. Foto: Daniel Smorigo
“Ganhar lá na Califórnia com uma multidão lotando a praia foi muito bom, me deu um novo ânimo na temporada, agora vencer aqui em casa com praia lotada também, foi demais, não tenho nem palavras para descrever o que estou sentindo, é muita emoção”, falou Filipe Toledo. “Desde o início do campeonato eu já pensava numa vitória aqui, então a missão foi cumprida. Eu fiz o que eu tinha que fazer e agora é ir pro Hawaii tranquilo, na boa, fazer o meu trabalho lá, pegar as ondas e tentar surfar uns tubos em Pipeline também. Espero que dê tudo certo para os brasileiros que estão brigando para entrar no WCT lá e que o Gabriel (Medina) conquiste o título mundial para fechar esta ótima temporada dos brasileiros no Circuito Mundial”.

Em comparação a Filipe Toledo, o caminho do australiano Matt Banting até a final foi mais tortuoso, enfrentando duas novidades do Brasil para a elite mundial dos top-34 do WCT do ano que vem. Na primeira bateria do sábado, ele ganhou uma disputa direta pela liderança no ranking do ASP Qualification Series contra o paulista Wiggolly Dantas, de Ubatuba como o campeão Filipe Toledo. 

Depois, Banting encarou o potiguar Italo Ferreira e o australiano novamente pegou as melhores ondas para usar a sua variedade de manobras modernas na vitória sobre o surfista que vinha sendo a sensação do campeonato, principalmente depois de derrotar duas vezes o número 1 do mundo, Gabriel Medina, na casa dele. Matt Banting só não conseguiu mesmo acompanhar o forte ritmo de Filipe Toledo e terminou como vice-campeão no ASP Prime de São Sebastião, faturando US$ 20 mil e 5.200 pontos.

“É muito difícil enfrentar o Filipe (Toledo) nestas condições de mar. Ele pegava qualquer ondinha, mandava o aéreo e só tirava notas acima de 9, assim fica difícil”, concordou Matt Banting. “Foi muito bom fazer a final aqui, foi a minha primeira final em etapas do ASP World Prime e estou feliz pelo segundo lugar também, pois é um grande resultado em um evento com tantos nomes importantes. Hoje (sábado) não tinha muitas ondas boas pra manobras, estavam melhores para os aéreos mesmo e ninguém estava surfando como o Filipe (Toledo) nestas ondas. Cada um que ele completava a praia inteira gritava num barulho gigante. Foi bonito de ver tanta gente na praia torcendo e agora vamos pro Hawaii já fazer uma preparação para o WCT do ano que vem”.

Apesar de eliminados nas semifinais, o potiguar Italo Ferreira e Carlos Muñoz ficaram felizes pela terceira colocação no O´Neill SP Prime, com cada um faturando um prêmio de US$ 11 mil e marcando 4.225 pontos no ASP Qualification Series. Italo Ferreira derrubou um dos favoritos ao título na Praia de Maresias, Julian Wilson, nas quartas de final, com Carlos Muñoz despachando o também australiano Nathan Hedge no duelo seguinte. Na disputa pelas vagas na grande final, Italo Ferreira acabou sendo batido por 14,27 a 9,53 pontos por Matt Banting e Carlos Munoz não teve qualquer chance contra um inspirado Filipe Toledo, que chegou a acertar dois aéreos na mesma onda para vencer por uma larga vantagem de 18,43 a 3,93 pontos.

“Eu não consegui achar boas ondas na semifinal, mas estou feliz porque consegui atingir meu objetivo aqui, que era garantir minha vaga no WCT antes das etapas finais no Hawaii”, disse Italo Ferreira. “Eu apostei nas esquerdas, mas não deu certo. Ele (Matt Banting) escolheu surfar as direitinhas e se deu bem ali, porque elas abriram mais para as manobras. Quando eu decidi ir para as direitas já era tarde, não deu tempo para reagir, mas mesmo assim estou amarradão pelo terceiro lugar, que já é o meu melhor resultado esse ano”.

Carlos Muñoz também ficou satisfeito porque agora tem uma chance real de classificação para o WCT nas etapas finais do ASP Qualification Series no Hawaii. “Sim, estou bastante feliz com as minhas performances aqui, achei que surfei bem nas várias condições do mar e contra o Filipe (Toledo) eu não pude fazer nada, ele pegou todas as ondas boas que entraram na bateria e deu um show”, destacou Carlos Munoz. “Agora sei que minhas chances de entrar no WCT aumentaram e vou para o Hawaii com mais gana, mais vontade e espero surfar bem lá também para conseguir os resultados que preciso para entrar na lista dos dez que sobem pelo QS”.

Derrotados na quartas de final, o paulista Wiggolly Dantas e os australianos Julian Wilson, Jack Freestone e Nathan Hedge, dividiram a quinta posição no O´Neill SP Prime, com cada um levando 7 mil dólares de prêmio e marcando 3.320 pontos no ranking que classifica dez surfistas para completar a elite dos top-34 do WCT para o ano que vem. O resultado da última etapa importante antes do encerramento da temporada na Tríplice Coroa Havaiana, que começa nesta próxima semana em Haleiwa Beach, provocou três mudanças de nomes no G-10 do ASP Qualification Series.

O australiano Julian Wilson saltou da 23.a para a décima posição no ranking, mas ele ainda está garantindo sua permanência entre os 22 primeiros colocados no WCT que são mantidos na elite para o ano que vem. Julian é um dos quatro surfistas que estão dispensando a vaga do QS no momento. Os outros são o novo líder do ranking, Filipe Toledo, e os também brasileiros Jadson André e Adriano de Souza, que ocupam a quarta e sexta posições, respectivamente. Com isso, o ASP Qualification Series está classificando até o 14.o colocado, Charles Martin, da Ilha Guadalupe.

G-10 PARA O WCT 2015 – As novidades no G-10 com o resultado do O´Neill SP Prime são o australiano Jack Freestone, que subiu do 24.o para o 11.o lugar com a quinta posição em São Sebastião, e o francês Joan Duru, que foi eliminado em nono lugar na quinta-feira, mas já havia garantido a 13.a posição no ranking, sendo o penúltimo na lista dos dez que será definida nas duas provas do ASP World Prime no Hawaii, em Haleiwa e Sunset Beach, na ilha de Oahu. Na etapa que fechou a “perna brasileira de fim de ano” da ASP South America na Praia de Maresias, eles tiraram as vagas do neozelandês Ricardo Christie e do catarinense Willian Cardoso.

No momento, quatro brasileiros, três australlianos, um havaiano, um francês e um surfista de Guadalupe, fazem parte do G-10, com três deles já confirmados para o WCT do ano que vem, o australiano Matt Banting e os brasileiros Wiggolly Dantas e Italo Ferreira. Os demais ainda vão precisar de resultados na Tríplice Coroa Havaiana para garantir seus nomes e a briga pelas últimas vagas promete ser intensa. A relação dos que vão defender posições no G-10 é formada pelo australiano Adam Melling em sétimo lugar no ranking, o catarinense Tomas Hermes em oitavo, o havaiano Keanu Asing em nono, o australiano Jack Freestone em 11.o, o paulista Jessé Mendes em 12.o, o francês Joan Duru em 13.o e Charles Martin de Guadalupe em 14.o.

FESTAS E SHOWS – Além das disputas por pontos decisivos na corrida pelas vagas no WCT de 2015, a etapa mais importante da “perna brasileira de fim de ano” da ASP South America também programou várias atrações para o público que lotou a Praia de Maresias para assistir os melhores surfistas do mundo. A Festa de Abertura aconteceu no sábado passado, 1.o de novembro, no Morocco Bar e no sábado das finais do evento o agito começou na praia mesmo, com um Festival de Música aberto ao público no final de tarde logo após o encerramento da competição, com a banda CPM 22 como principal atração. Depois, à noite, ainda teve a Festa de Encerramento do O`Neill SP Prime no Sirena Club em Maresias.

SOBRE A O´NEILL – A marca O´Neill foi criada em 1952 na Califórnia, Estados Unidos, pelo jovem surfista na época, Jack O´Neill, no seu desejo de estender suas sessões de surfe nas águas geladas do norte da Califórnia. Pioneira na produção de roupas de neoprene (wetsuit) no mundo, a primeira loja O´Neill foi aberta na garagem da casa de Jack. Foi ele quem também inventou as cordinhas para amarrar as pranchas na perna e até a primeira bermuda sem costura especialmente para os surfistas. A marca hoje pode ser encontrada em 85 países e a O´Neill já chegou a promover uma série de etapas do Circuito Mundial WQS pelos mares mais gelados do mundo, como no Canadá, Nova Zelândia, Escócia, mas o O´Neill SP Prime na Praia de Maresias será o primeiro grande evento da marca no Brasil.

Resultados do O'Neill SP Prime 2014
1 Filipe Toledo (Bra)
2 Matt Banting (Aus)
3 Italo Ferreira (Bra)
3 Carlos Muñoz (Cri)
5 Wiggolly Dantas (Bra)
5 Julian Wilson (Aus)
5 Nathan Hedge (Aus)
5 Jack Freestone (Aus)

G-10 do ASP Qualification Series depois de 29 etapas

1 Filipe Toledo (Bra) – 19.420 pontos
2 Matt Banting (Aus) – 17.920 – 1.o do G-10
3 Wiggolly Dantas (Bra) – 16.465 – 2.o do G-10
4 Jadson André (Bra) – 16.240
5 Italo Ferreira (Bra) – 14.505 – 3.o do G-10
6 Adriano de Souza (Bra) – 12.089

7 Adam Melling (Aus) – 11.410 – 4.o do G-10
8 Tomas Hermes (Bra) – 11.180 – 5.o do G-10
9 Keanu Asing (Haw) – 11.120 – 6.o do G-10
10 Julian Wilson (Aus) – 10.885
11 Jack Freestone (Aus) – 10.373 – 7.o do G-10
12 Jessé Mendes (Bra) – 10.170 – 8.o do G-10
13 Joan Duru (Fra) – 9.650 – 9.o do G-10
14 Charles Martin (Glp) – 9.575 – 10.o do G-10
18 Willian Cardoso (Bra) – 9.285 pontos
34 Heitor Alves (Bra) – 6.620
37 Caio Ibelli (Bra) – 6.350
39 Peterson Crisanto (Bra) – 6.040

42 Santiago Muniz (Arg) – 5.890
43 Alex Ribeiro (Bra) – 5.770
45 Michael Rodrigues (Bra) – 5.530
60 Alejo Muniz (Bra) – 4.560
61 David do Carmo (Bra) – 4.405
62 Krystian Kymerson (Bra) – 4.397
63 Ian Gouveia (Bra) – 4.345
65 Marco Fernandez (Bra) – 4.320
77 Hizunomê Bettero (Bra) – 3.222
78 Raoni Monteiro (Bra) – 3.200
79 Bino Lopes (Bra) – 3.180
83 Jean da Silva (Bra) – 3.100
95 Lucas Silveira (Bra) – 2.689
98 Deivid Silva (Bra) – 2.636


Slatter faz a mala

Fotógrafo Trent Slatter, de olho no XXL Big Wave, exibe este momento extraordinário de Ryan Hipwood
 em The Right, Western Australia
Bradley Norris acelera em The Right. Foto: Trent Slatter